O Vento que o levou ao Mar

Seus óculos já estavam molhados antes de chegar ao litoral, quando seus pés afundaram na areia e o vento começou a bater em suas costas sentiu as dores saindo lentamente. Subiu na grande pedra que servia de enfeite natural àquele mar, muitos casais se entrelaçaram atrás daquela pedra, e ele sabia disso, mas somente o horizonte interessava agora: lá no fundo…onde já não se podia ver a continuação do mar ele enxergava o rosto daquela pessoa.

Começou a lembrar de tudo que passaram juntos e como pensavam num futuro juntos, mas tudo isso já se foi embora com as ondas da vida.

Fechou os olhos e o vento o empurrou rumo ao Sol, tentou lembrar das coisas boas que ele tinha e o que ainda poderia ter mas nada daquilo lhe dava forças suficiente para lutar contra o vento.

“Será que os ventos são como lembranças?No início parecem que  saem da gente e vão embora, mas depois eles voltam e lhe chicoteiam mostrando serem muito maiores que você mesmo…”

Seus pés começavam então a sentir a umidade da areia, passaram-se alguns segundos e a água cobria todo seu tronco.

Deu um sorriso.Começara a se re-apaixonar pelo que tinha perdido no fundo do mar e ali ficou.

Ficou durante 2 semanas até alguém chegar.

O enterro foi em uma sexta feira.

Em uma tempestade enorme.

Com chuva…

e vento.

Por erros também se chega à prisão interna

E então você acorda em um quarto escuro, quando finalmente consegue colocar os pés no chão derruba uma, duas, três garrafas vazias que rolam para o lixo que também está jogado ao seu redor.

Olhando todos os papéis que se empilham aos montes na sua mesa você pega um jornal que comprou à uma semana e vê aquela foto, volta pro quarto com a imagem que a foto montou na sua cabeça.

O passado, a escolha, as ações…

Agora está sacudindo a cabeça! Isso! Mais forte! Mas as correntes não se soltam, não é? A única sensação mais próxima da liberdade que tem é a dor de sua cabeça que finge fazer esquecer os problemas. Mas  você não chora, não pode, não quer e não consegue. Segue.

Ao ver seu rosto no vidro embaçado do banheiro acredita estar enxergando a verdade, ou seja, todas as mentiras que conta e todos os erros que saem da sua boca e que não podem mais serem concertados agora desfiguram sua “verdadeira” face. Olhe bem, não desvie o olhar, não seja  covarde…  Agora você é isso!

Agora coloque a máscara de ferro com um falso sorriso pintado com seu próprio sangue, dói, mas talvez você goste disso, afinal foi você mesmo que construiu.

Num resquício de embriaguez,-ou seria uma forte aproximação com a morte?-, você vê o  futuro de glórias bem na sua frente e estende o braço, mas algo lhe impede… As correntes, se lembra? Ajoelhe-se!  Faça uma oração… Inútil! Ninguém vai te ajudar pois ninguém que pode fazer algo está realmente ai com você. Você podia ter feito diferente…Mas não fez!

Agora, sinta as correntes prender a circulação em suas veias e aprenda a gozar com isso! Pois é isso que você tem agora! Acostume-se e se prepare para o dia que vem, porque este dia é sempre pior. É quando você aperta mais a máscara e suas correntes.

Indignação e Impotência

“Uma nuvem negra ameaça a grande Sant Paul localizado na vasta região que é Pindó-rama.

Enquanto o observador solitário está no alto “daquele” morro com “aquelas” formas arquitetônicas empilhadas uma sobre a outra,  a tropa deixava seus rastros de destruição usando como escudo um grande brasão do governo.

Mulheres e crianças, velhos e doentes imploram  o cessar do ataque: “Nós temos nossos direitos!”; Entretanto só escutam da tropa a verdade imposta: “Esta fala não está no seu script! Cale a boca!” Como se aqueles fossem apenas figurantes da suas próprias vidas.

O que os cidadãos falavam estava certo, mas agora já era tarde, tudo foi-se embora, cama,sofá, comida, documento,gente.

Não muito longe dali, pequenos pedaços rachados do futuro caminham silenciosos com seus livros debaixo do braço. A tropa o observa, a tropa manda o pedaço circular, a tropa tira a grávida da sua moradia, a tropa bate no pedaço (agora pedaços) que estava apenas sentado.

Se pedaços pretendem se juntar, surgem as câmeras com um símbolo redondo taxando-os de terroristas, câmeras que batem palmas quando os pedaços do futuro são pisoteados como vermes por cavalos, escudos com o seu “brasão” e carros enlouquecidos com luzes e sirene a todo vapor funcionando.

Enquanto isso!Enquanto isso.. se via na boca e ouvia dos olhos da turma do sofá a raiva por uma mãe ter fingido a gravidez de quadrigêmeos ou então o espanto com o número de relações sexuais que casais tinham num maldito “reality show”.

Ninguém se importava com o show de terror que a realidade apresentava… Ninguém se preocupava com o economista que não sabia fazer contas e queria um cargo no Estado, Ninguém via o médico que mandava a tropa matar pessoas, ninguém via o futuro ser despedaçado.

Então o sr. Ninguém, que procurava ver o que andava acontecendo se afundou em desespero, a ignorância que era uma virtude se rompera e então Ninguém pensou no que se poderia fazer para dar um fim nessa tragédia.

Sua mãe dizia que a mudança se chega através da conversa, mas Ninguém hoje fica preocupado em saber que as únicas coisas sobre o que se está conversando é sobre o que menos importa.

Ninguém divulgou seus receios, e esperou alguma resposta, Ninguém esperou Alguém. Mas Alguém nunca apareceu e só ficou Ninguém.”

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Aviso:

 Ministério Nacional da Ironia (MNI) adverte, a história que foi contada é fictícia, com lugares e personagens fictícios, qualquer semelhança não passa de pura coincidência.

Quando morre um curioso – 2

… a luz é muito forte, e sinto que ela esta me tragando para dentro dela, estou indo para outro lugar, onde não há minha cama com os lençóis sujos de sangue, ou Maria, ou Clara, meu antigo amor quem mal pude conversar antes disso tudo. Mas… Mas…

-Que? Onde estou?Que ruído é este? Esse chão está todo rachado? Aquilo são cactos?! Meu deus estou no inferno!

- Não, você não está no inferno, assim como eu não estou.

- Deus?

-Não, sou apenas um que também ultrapassou as linhas.

- Então porque essa voz do além ?

- Na verdade eu estou atrás de você.

-Aaa, olá.

Quem seria essa pessoa? Será ela um tipo de Caronte, barqueiro do inferno, só que sem barco, e sem inferno.

- Eu estou morto?

- Certamente.

- E quem é você? Continue lendo

Quando morre um curioso – 1

- Que luz é essa? Está me cegando, parece algo tão puro,luz… só luz, mas quero abrir meus olhos uma última vez; Maria, por favor, feche a janela…

-Sim senhor, …, algo mais?

-Não, pode sair…

Maldita cama a qual me deixa entre as duas linhas, esses lençóis brancos  mais parecem mortalhas, de fato, acho que são mesmo mortalhas… “oss!oss!oss!”… Esse sangue… esse sangue! Continue lendo