Seus óculos já estavam molhados antes de chegar ao litoral, quando seus pés afundaram na areia e o vento começou a bater em suas costas sentiu as dores saindo lentamente. Subiu na grande pedra que servia de enfeite natural àquele mar, muitos casais se entrelaçaram atrás daquela pedra, e ele sabia disso, mas somente o horizonte interessava agora: lá no fundo…onde já não se podia ver a continuação do mar ele enxergava o rosto daquela pessoa.
Começou a lembrar de tudo que passaram juntos e como pensavam num futuro juntos, mas tudo isso já se foi embora com as ondas da vida.
Fechou os olhos e o vento o empurrou rumo ao Sol, tentou lembrar das coisas boas que ele tinha e o que ainda poderia ter mas nada daquilo lhe dava forças suficiente para lutar contra o vento.
“Será que os ventos são como lembranças?No início parecem que saem da gente e vão embora, mas depois eles voltam e lhe chicoteiam mostrando serem muito maiores que você mesmo…”
Seus pés começavam então a sentir a umidade da areia, passaram-se alguns segundos e a água cobria todo seu tronco.
Deu um sorriso.Começara a se re-apaixonar pelo que tinha perdido no fundo do mar e ali ficou.
Ficou durante 2 semanas até alguém chegar.
O enterro foi em uma sexta feira.
Em uma tempestade enorme.
Com chuva…
e vento.



