Quando a Morte lhe Acerta pela Primeira Vez

pupilas

Um tio distante da criança havia morrido, ela foi ao enterro acompanhado de seus pais. “Questão de educação filho, vamos larga seus brinquedos”. A criança não tinha ideia do porque de ter que ir, “o que deveria ter naquele lugar”, provavelmente pensou aquela cabecinha ainda inocente.

Fizeram uma pequena viagem até a cidade onde ocorria o velório e depois o enterro. O garoto se divertia no banco de trás do carro, se debruçava sobre a janela que abria só até a metade; seus pais já haviam dito que isto era perigoso Continuar lendo

Anúncios

Sobre o Assalto e o 5º Andar da Biblioteca

Em um banco velho que ficava atrás da biblioteca da faculdade estava sentado um jovem, lá pelos seus dezoito ou dezenove anos, estava quieto, mas parecia que no fundo esperava alguém. Mexia na sua bolsa, procurando alguma coisa que precisava, ou então apenas para não ficar parado. Parar realmente é algo chato.

Passaram-se uns vinte minutos e o jovem, que permanecia ali, começou a olhar a garota que chegava e parava no banco ao seu lado, uns 2 metros de distância. Ela sentou e começou a mexer em seu celular; alguém poderia pensar que estava mandando mil mensagens para alguém, o jovem ao seu lado provavelmente pensou o mesmo, pois parou de encará-la e se virou com cara de desolação. Mas se ele tivesse continuado a olhar, poderia ter notado que ela estava se divertindo com algum joguinho no aparelho. Talvez para passar o tempo, como se também estivesse esperando algo.

Entretanto, o garoto tornou a olhar para a moça que sentava ao seu lado Continuar lendo

Em uma gaveta suja e empoeirada

Memories_drawer_by_eXcer

“Estou olhando para você, agora, há meio metro na minha frente. Você está conversando com ele e eu estou me sentindo um psicopata que vai contra a si mesmo pensando nestas coisas; mas seus olhos estão brilhando, eu estou vendo.

Ai você vira, nota que estou ali na sala de aula também e o seu encanto se quebra, quase por um segundo apenas, é verdade; pois logo depois você volta a olhar para ele.

Você o acha uma boa pessoa e, de fato, ele é. Você o vê como uma pessoa inteligente e, adivinha, ele é inteligente mesmo. Eu nunca fui, e nem pretendo ser, um imbecil ciumento. Mas você me olhava, ao menos um pouco, assim para mim.

Você começou a sorrir, exatamente neste momento, você não está só feliz. Por favor, não me deixe notar seu sangue correndo mais rápido por suas veias, mas então você engole um trago de ar, respira mais ofegante.

Sinto lágrimas surgindo em meus olhos, mas eu não choro, não mais. Por erros já cometidos antes eu não consigo mais, mas mesmo assim continuo cometendo os mesmo erros de sempre.

Não posso pensar que fui colocado em segundo plano, pois nunca pedi a você para ficar em qualquer um, mas me arrependo, agora, enquanto estou te olhando, de não tê-lo feito. De não ter feito nada. E acredito que permanecerei assim.

São “inconfortantes” esses segundos que então se passam. Deu o tempo e estamos saindo, ele passou pela porta, você seguiu na frente, olhando as costas dele. Penso – já que é a única coisa que faço – que vou sozinho para casa, eu preciso disso agora.

Ps. para a senhorita T.: Saiba que o texto não tem intuito nenhum de causar mágoa, ele não foi feito para que um dia você possa encontra-lo, se o encontrar, por favor, não leia; se ler, por favor, não me diga. Mantenha um sorriso ao me dar bom dia, e sigamos assim.”

março\2011