Introspecção na Calçada de Tijolos Brancos

Aqueles dois estavam conversando enquanto caminhavam para algum lugar, dentro de silêncio que se mostrava um tanto quanto incômodo antes de quebrado.

“E ai, como segue sua vida?”, perguntou um deles.

O outro ergueu a cabeça e olhou para o seu companheiro de caminhada:

“Acho que a vida está me dando os mesmos problemas que já tive como prova a ser cumprida. Ela parece querer saber se, de fato, eu amadureci, ou se cometerei os mesmos erros de antes. Tomando as mesmas atitudes ou não tomando atitude alguma.”

O primeiro caminhante, aquele que fez a pergunta, se assustou, esperava uma resposta automática como um “a vida vai indo” ou um simples “tudo bem”, mas não. Ele recebeu um desabafo, palavras tristes, ou talvez apenas perdidas.

“Bom, mas você sabe, às vezes a vida lhe da limões para que você possa fazer uma limo…”

“Não!”, interrompeu bruscamente o companheiro, “A vida me deu ‘nada’ e é com isso que com que eu tenho que lidar.”

Colocando a cabeça inclinada de lado e já se arrependendo de ter feito a maldita pergunta, o outro disse não ter entendido bem o que estava querendo ser dito ali:

“Como? O que você está querendo dizer com isso tudo?”

Este recebeu a sua resposta depois de uma pequena risada.

” É simples , a vida em geral, parece ser um composto de calçadas formadas por tijolos brancos, a calçada de cada um parece estar sempre atravessando a calçada de outro ao mesmo tempo que também é ela que atravessa, mas isso, penso agora, não importa. O que importa são os tijolos brancos que havia comentado, aquilo que forma nossa própria calçada…”

A fala parecia que “ia longe”.

” … é neste ponto que está meu problema, eu não sei o que faço com os tijolos, essa cor deles me incomoda, pois, se alguém no passado disse que a escuridão ou a falta de luz nos impede de alcançar a verdade nos dando falsas impressões, eu já acredito que luz demais possa fazer coisa pior, ela pode nos deixar cegos, para sempre, e é isso que os malditos tijolinhos brancos fazem, eles refletem e batem a luz bem na nossa cara, em nossos olhos …”

E seguiu, novamente:

“… frente a isso tudo, temos que tomar alguma posição. Eu acho que existem três opções básicas para isso, ou a gente pega e pinta forçadamente cada um dos tijolinhos, ou então notamos que o branco é um mix composto de várias as cores portanto temos várias possibilidades – potenciais, obviamente, que podem simplesmente “acontecer”. Não sei se você entendeu, mas o que eu quis dizer é que podemos forçar ou então ser forçados, inspirados, influenciados.”

“A terceira opção, você não disse a terceira.”

Com uma cara triste, o falador estranho levantou seus braços e tampou seus olhos com as mãos.

“A terceira opção é a qual você ignora tudo isso, e simplesmente deixa de enxergar.”

O companheiro colocou seu braço esquerdo no ombro do “amigo cego”, se tornaram um e então seguiram para lugar algum, ao menos por enquanto, não por muito tempo.

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3 comentários sobre “Introspecção na Calçada de Tijolos Brancos

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